1. Quais os tratamentos mais adequados?
Os tratamentos oncológicos incluem quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Podem ser utilizados individualmente ou em conjunto, para potenciar os efeitos de cada um. O tratamento da maioria das doenças oncológicas está padronizado internacionalmente, e realiza-se de forma semelhante nos países ocidentais.
2. Tem havido alguma evolução na área do diagnóstico e dos tratamentos?
Os tratamentos estão sempre a ser actualizados. Habitualmente, cada vez que surge uma nova terapêutica, é testada em grandes grupos de doentes e os resultados são avaliados alguns anos depois.
3. Na maioria das situações, a cirurgia é eficaz?
Não. Ao contrário dos adultos, só muito raramente os tumores em Pediatria são tratados apenas com cirurgia. Geralmente, faz-se primeiro quimioterapia para diminuir as dimensões dos tumores sólidos que só depois são operados. Chama-se a isto fazer quimioterapia neoadjuvante. Permite cirurgias mais simples e mais eficazes.
4. Como reagem os pais à notícia de que os seus filhos têm leucemia?
Com tristeza, revolta por não conseguirem perceber a razão do aparecimento da doença, e angústia pelo futuro.
5. Como é acompanhar uma criança com leucemia?
É fazer com ela e a sua família um longo caminho de dois anos de análises, consultas e tratamentos (alguns em internamento, a maioria em ambulatório). Em dois anos acontecem muitas coisas nas vidas de todos nós. Há momentos mais tristes e outros mais felizes. Cerca de 70 a 80% das leucemias agudas na infância são curáveis.
6. Quando não há nada a fazer...
Conversamos com os pais e a família. Discutimos todas as hipóteses possíveis de tratamentos alternativos. É importante que fique claro para todos que todas as hipóteses foram esgotadas. Ajudamos os pais a iniciar um processo de aceitação do inaceitável (a morte de um filho).
7. Como é que os pais lidam com a morte?
Com profunda tristeza. Ao contrário das mortes acidentais, a morte em Oncologia tem algo de anunciado. Raramente é uma surpresa. Vai-se aprendendo. Nunca se aceita.
8. Qual é o papel do médico?
Cuidar e aliviar sempre. Curar quando é possível. Organizar os apoios possíveis: apoio escolar, apoio da Segurança Social, apoio psicológico, etc.
9. Qual foi o caso mais marcante que já teve?
Não tenho. De alguma forma, todos são marcantes. Tive uma doente que trazia uma varinha de condão para a consulta e transformava o hospital num palácio ou num hotel. Nunca me vou esquecer da varinha de condão.
10. Como é que reagiu quando o seu primeiro doente faleceu?
Viveu o tempo possível. Esteve pouquíssimo tempo internada (era o que ela queria) e passou a maior parte do tempo em casa (com os seus brinquedos e as suas coisas). Conseguimos ir controlando as dores sem internamentos. Fez-se tudo o que era possível. Não ficou nada por fazer.
11. Como é que lida com a morte das crianças?
A morte de uma criança é uma aberração da vida. Os mais velhos devem morrer antes dos mais novos. Devia ser uma lei. Devia ser proibido que assim não fosse. Acho que a vida, às vezes, não faz sentido nenhum, e que controlamos muito menos coisas do que pensamos. É preciso aprender a aceitar em vez de estarmos sempre a exigir e a esperar.
Os tratamentos oncológicos incluem quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Podem ser utilizados individualmente ou em conjunto, para potenciar os efeitos de cada um. O tratamento da maioria das doenças oncológicas está padronizado internacionalmente, e realiza-se de forma semelhante nos países ocidentais.
2. Tem havido alguma evolução na área do diagnóstico e dos tratamentos?
Os tratamentos estão sempre a ser actualizados. Habitualmente, cada vez que surge uma nova terapêutica, é testada em grandes grupos de doentes e os resultados são avaliados alguns anos depois.
3. Na maioria das situações, a cirurgia é eficaz?
Não. Ao contrário dos adultos, só muito raramente os tumores em Pediatria são tratados apenas com cirurgia. Geralmente, faz-se primeiro quimioterapia para diminuir as dimensões dos tumores sólidos que só depois são operados. Chama-se a isto fazer quimioterapia neoadjuvante. Permite cirurgias mais simples e mais eficazes.
4. Como reagem os pais à notícia de que os seus filhos têm leucemia?
Com tristeza, revolta por não conseguirem perceber a razão do aparecimento da doença, e angústia pelo futuro.
5. Como é acompanhar uma criança com leucemia?
É fazer com ela e a sua família um longo caminho de dois anos de análises, consultas e tratamentos (alguns em internamento, a maioria em ambulatório). Em dois anos acontecem muitas coisas nas vidas de todos nós. Há momentos mais tristes e outros mais felizes. Cerca de 70 a 80% das leucemias agudas na infância são curáveis.
6. Quando não há nada a fazer...
Conversamos com os pais e a família. Discutimos todas as hipóteses possíveis de tratamentos alternativos. É importante que fique claro para todos que todas as hipóteses foram esgotadas. Ajudamos os pais a iniciar um processo de aceitação do inaceitável (a morte de um filho).
7. Como é que os pais lidam com a morte?
Com profunda tristeza. Ao contrário das mortes acidentais, a morte em Oncologia tem algo de anunciado. Raramente é uma surpresa. Vai-se aprendendo. Nunca se aceita.
8. Qual é o papel do médico?
Cuidar e aliviar sempre. Curar quando é possível. Organizar os apoios possíveis: apoio escolar, apoio da Segurança Social, apoio psicológico, etc.
9. Qual foi o caso mais marcante que já teve?
Não tenho. De alguma forma, todos são marcantes. Tive uma doente que trazia uma varinha de condão para a consulta e transformava o hospital num palácio ou num hotel. Nunca me vou esquecer da varinha de condão.
10. Como é que reagiu quando o seu primeiro doente faleceu?
Viveu o tempo possível. Esteve pouquíssimo tempo internada (era o que ela queria) e passou a maior parte do tempo em casa (com os seus brinquedos e as suas coisas). Conseguimos ir controlando as dores sem internamentos. Fez-se tudo o que era possível. Não ficou nada por fazer.
11. Como é que lida com a morte das crianças?
A morte de uma criança é uma aberração da vida. Os mais velhos devem morrer antes dos mais novos. Devia ser uma lei. Devia ser proibido que assim não fosse. Acho que a vida, às vezes, não faz sentido nenhum, e que controlamos muito menos coisas do que pensamos. É preciso aprender a aceitar em vez de estarmos sempre a exigir e a esperar.
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